Íamos passar o dia quase todo com a vó Nanda. Ela disse que tinha uma surpresa para nós os dois.
O Eduardo até pensava que íamos ao parque mas quando a avó parou o carro, vimos à nossa frente um barco grande, e a avó disse que íamos a Lisboa de barco.
Nós nunca tínhamos andado de barco.
O Eduardo estava todo contente mas eu tinha medo, ainda disse que ficava no carro à espera deles mas a avó não deixou, e eu ainda choraminguei.
A avó disse para nos sentamos perto da janela que era o que ela fazia em pequenina, assim podíamos ir vendo o rio.
Eu não gostei nada da ideia...
O mano ia todo contente não teve medo, eu tive e fiquei muito quietinho sentado no banco.
O barco começou a andar e o mano dizia que via "pombos" na água e barcos, aos poucos a curiosidade foi sendo maior do que o medo e fui espreitar à janela.
No rio haviam alguns pequenos barcos e nós começamos a procurar os barcos dos piratas e de barcos à vela.
A meio da viagem eu já brincava com o mano, até começamos a imaginar que animal era o que estava em cada pipoca.
Este era um porco muito gordo, vocês também conseguem ver não conseguem?
Chegamos a Lisboa e eu saí do barco como um homem grande já não tinha medo.
Havia muita gente na rua
Haviam varias bancas com coisas à venda, parecidas com algumas que a avó faz, e havia um senhor que batia na pedra com uma coisa e fazia letras.
Andamos um bocadinho e encontramos um outro senhor, estava todo pintado e muito quieto, parecia uma estátua.
Quase ali ao lado encontramos um quadro grande com uns desenhos como os do livro do Wally, mas não conseguimos ver onde ele estava.
Aqui há muitos carros e muito barulho na rua, onde a avó mora não é assim.
A avó disse que íamos andar de eléctrico. Um eléctrico muito famoso o 28.
Nós nunca tínhamos andado, e ficamos muito contentes por ir experimentar outra coisa nova, mas ficamos muito tempo na paragem e o eléctrico nunca mais chegava.
Então apareceu um autocarro muito pequenino e a avó disse que o melhor era entrarmos nele.
Era mesmo muito pequenino, parecia um autocarro de brincar e começou a subir por uma rua feita de pedras.
Quando saimos do autocarro eu vi um gatinho no outro dado da rua e pedi para irmos fazer uma festinha
Ele era mesmo meiguinho e morava numa casa pequenina com uma porta que tinha janelas. Eu e o mano nunca tínhamos visto uma porta assim com janelas.
Haviam também muitos pombinhos e o mano achou que eles tinham fome e demos-lhe um bocadinho das nossas pipocas
Depois fomos a um sitio muito alto de onde se via o rio. A avó disse que era um miradouro.
O miradouro de Stª. Luzia
Parecia que estava-mos em cima das casas, pois via-mos muitos telhados lá em baixo.
De regresso eu já não tinha medo de andar no barco e até fomos espreitar mais de perto o rio, na proa.
Foi um dia muito bem passado, cheio de novidades para mim e para o mano.
Isto é só um bocadinho do que vimos, a avó até disse que para a próxima vez vamos novamente a Lisboa de barco e nos levava a ver o Castelo.
Agora vamos lanchar e dormir um bocadinho, é que estamos tão cansados....
"
Se temos de crescer com os golpes duros da vida, também temos de crescer com os dias de felicidade"