29 de maio de 2015

O Alentejano que não se lembrava do ancinho...e eu.


(Contou-me a minha mãe esta história quando eu era garota)

 O Manel, um Alentejano ainda na idade casadoira, veio para Lisboa tentar a sua sorte.
Encontrou trabalho e por cá ficou 6 meses sem ir à terra.
Ao fim desse tempo as saudades da família eram muitas e resolveu ir um fim de semana à aldeia.
Achava-se agora moço fino da Cidade Grande, esquecendo tudo o que tinha aprendido na aldeia durante todos os anos em que lá vivera.
Esqueceu-se dos pés descalços nas ruas de areia, da cama com o colchão feito de camisas de milho, da água que tinha de ir buscar à fonte...
Vinha pela entrada que dava acesso à aldeia o Ti Zé da Anica. Pararam para dois dedos de conversa, e ficou admirado o Ti Zé com a conversa do Manel, já não conhecendo nele o rapaz que viu crescer.
Entretanto e já se fazendo tarde o Ti Zé agarrou nos sacos onde transportava as sementes, agarrou na foice e viu que lhe faltava o ancinho, devia do ter deixado cair no caminho sem dar por isso.
- Oh  Manel, apanha-o e guarda-mo que à noite passo lá por casa para o levar.
-Ah Ti Zé eu até o ajudava e o guardava se o visse, mas moço da cidade como agora sou já nem o que é um ancinho!
O Ti Zé abanou a cabeça e lá seguiu o seu caminho.
O Manel continuou para a aldeia e distraído como era não viu onde pisava.
Colocou o pé em cima dos dentes de ferro e logo o cabo de madeira devido à lei da física,  lhe foi bater no meio da testa deixando-o meio atordoado.
- Cabrão do ancinho, disse o Manel, tinha logo que estar no meio da estrada.
 Afinal o Manel sabia muito bem o que era o ancinho só se estava a armar em fino, esquecendo as suas origens humildes de moço do campo.

Dizia-me a minha mãe que por mais voltas que a vida desse eu nunca deveria esquecer as minhas origens, e não esqueci, mas desta vez!...
E passo a contar:

Depois de ter estado várias semanas (muitas..tantas..5..) sem passar uma única peça de roupa, ( se encontraram uma rapariga com uma camisola com as marcas das molas da roupa, era a minha Joana) a mesma foi-se transformando numa enorme pilha, mais parecendo a torre de pizza, alta e torta.
Agora sentindo-me com mais força  e coragem fui-me a ela "roupa"  decidida a acabar com o monte, até porque já pouca roupa havia nesta casa para se vestir, pois bem na segunda ou terceira peça, não me lembrando de controlar o calor do ferro, queimei uma blusa.

Bastou umas semanas para me esquecer de como se passava a ferro. (já parecia o Manel e o seu ancinho...)


O pior foi o estado em que o ferro ficou, nem com um produto próprio para limpeza de ferros nem com vela quente o raio do ferro ficava limpo.
Depois lembrei-me que tinha lido na net uma dica para limpeza de ferros, juntar  Bicarbonato de Sódio e sumo de limão.
Fiz uma pasta espalhei pelo ferro quente e esperei arrefecer.
Depois de frio passei um pano húmido e era assim que o tecido estava, aquilo não parecia tecido parecia plástico



 Puxei, saiu todo, depois foi só esfregar mais um bocadinho com o pano e tudo aquele castanho esborratado no fundo do ferro saiu.



E foi este o resultado, fundo do ferro limpo.



E por falar em ferro, o meu deve de ter já uns valores aceitáveis pois sinto-me um bocado mais activa sem tanto cansaço, não estou bem mas estou melhor.
Ainda me faltam 3 semanas, três tratamentos, mas já sinto alguma diferença.
Obrigada a quem tem perguntado, ah e não se esqueçam Bicarbonato de sódio e limão...

"Todos os meios são bons quando são eficazes." [ Jean-Paul Sartre ] 

27 de maio de 2015

Mãe galinha.


São poucas as vezes em que os pintainhos nascem na casa da Mãe.
Normalmente são comprados bem pequeninos nos mercados e vem para casa sem mãe, são deixados à sua própria sorte.
Desta vez foi diferente.



Galinha choca, ovos da vizinha galados (que aqui não há galo), pintos nascidos.




Agora é vê-la a ensinar os seus "meninos", sempre pronta a protege-los, escondendo-os debaixo das suas asas.
Têm um especial gosto ali por aquele canto da capoeira.



A "tia" atenta, do lado de fora da capoeira vai espreitando a nova família.


Enquanto isso vai pondo os seus próprios ovos, na esperança de um dia também ela ser mãe galinha.

25 de maio de 2015

No serviço de Imunohemoterapia

Sogras e noras apanhadas no quintal da mãe-
O nome é esquisito, mas foi a neste serviço que me dirigi pela primeira vez na semana passada.
Fica mesmo em frente ao bloco de sangue, onde tantas vezes entrei para fazer doações.
8.00H da manhã, na sala 6 cadeiras/marquesas (não sei o nome correcto), ao lado os suportes para os sacos de sangue, soro e anti-coagulantes, e mais umas quantas maquinetas medidoras de não sei o quê..
Um plasma na parede sintonizado  no canal 1, uma secretaria e um móvel cheio de tubos, agulhas, medidores de tensão, termómetros e mais uma panóplia de equipamentos médicos perfaziam tudo o que a sala tinha, três enfermeiras e duas auxiliares andavam atarefadas.
 A enfermeira que me recebeu foi, atenciosa e delicada.
- Bom dia minha querida, sabe o que vem fazer? Sente-se bem?
- Sim, sei pelo menos o que a Drª. me informou, e sim estou bem, respondi.
- Ai minha querida com estes valores não se pode sentir bem, até pestanejar deve ser cansativo-
- Ah sim cansada estou mas sinto-me bem para iniciar o tratamento.
Foi-me colocado o soro. Primeiro temos de limpar a veia explicou a enfermeira, só depois podemos administrar-lhe o ferro, depois para terminar o restante soro.
Imaginava que fosse um liquido branco, mas tem a mesma cor do ferro bebível, assim um cor de caramelo escuro.
 Outros doentes foram chegando, um Sr. que foi preciso ajudar a subir para a marquesa, outro que não andava, arrastava os pés devido  à doença e à idade, um outro ainda que soube depois tinha sido operado ao coração, fazia hemodiálise e estava ali para uma transfusão de sangue deitou-se com dificuldade, aos poucos todas as marquesas estavam ocupadas.
Eu era a mais nova e a de melhor saúde.
Também a única a que aquela era a 1º. vez, todos os outros doentes já conheciam (e se conheciam) o procedimento, alguns já sabiam o nome das enfermeiras.
Foram contando histórias acontecidas em dias anteriores, anedotas e até falaram dos netos. Senti-me uma intrusa, afinal ali estava eu de unhas pintadas bâton cor de rosa e pulseiras de pérolas "falsas" rodeada por outras pessoas que quase não se moviam e que dependiam daqueles tratamentos para viver.
-Oh Francisco lembras-te quando íamos à tasca jogar as cartas e beber um copinho? Agora nem beber nem fumar posso, se alguma vez eu pensei que na velhice estava assim, faço 79 anos este ano mas nem sei se lá vou chegar...
- Que é isso está ai ainda para as curvas.
- Tou tou, mas é para as quedas que dou quando me falta a força nas pernas

 No dia a dia nem me apercebo do sofrimento dos outros, só nos hospitais, tomamos consciência do que se passa ao nosso redor.

As enfermeiras sempre umas queridas com uma palavra de carinho para com aqueles doentes, enfraquecidos e "velhos" atentas ao decorrer dos tratamentos e aos bip.bip das máquinas.
Um dos doentes ao qual tinha sido muito difícil à enfermeira encontrar uma veia que suportasse a colocação da borboleta  chamou uma das auxiliares.
-Oh filha desculpa mas preciso de urinar.
- Agora não pode sair dai amiguinho, responde ela com carinho. Mas você tem a fralda faça na fralda que no fim a gente muda-lhe a fralda e fica limpinho antes da sua filha o vir buscar.
- Mas eu não gosto nada de dar trabalho!..
- Têm de ser amiguinho, hoje por si amanhã por mim!
Sempre muito carinhosas e atenciosas para com os doentes, as auxiliares entravam e saiam da sala, ora iam buscar mais sacos de sangue para as transfusões, ora ajudavam a trazer novos doentes, as marquesas pouco tempo ficavam vazias, logo iam tendo novos ocupantes.
No inicio do tratamento tive uma quebra de tensão, umas tonturas mas que rapidamente pararam, disseram que era normal, era o corpo a combater o que estava a ser administrado.
Hora e meia depois saia da sala, no braço ficou uma leve impressão de aperto, pela veia acima um formigueiro bem leve.
Quando dava sangue nunca senti isto a única coisa que eu não gostava era mesmo do tamanho da agulha que tem de ser utilizada, mas tirando uma vez em que tive uma quebra de tensão não me custava nada, e saia do hospital contente pois podia estar a ajudar uma vida a ser salva.
 Por volta das 12.00H comecei-me a sentir como se tivesse bebido álcool, comecei a ter dificuldade em falar e a coordenação de movimentos não me acompanhava o pensamento tive até dificuldade em conseguir levar o garfo para a boca na hora de almoçar, às 13.30 já estava bem
Esta semana levarei o 2º. reforço, e durante as próximas três quartas-feiras seguintes também, depois as analises e o Hemograma e nessa altura já deverei ter os valores normais. Assim o espero.

Pinta.


22 de maio de 2015

Um jantar em três tempos.

Encontrei num blog esta receita, pratica e rápida para ser feita, depois de um dia de trabalho é o que se quer.
Não é um pastelão, nem uma omelete é feita no forno e muito saborosa.
Então vamos lá à receita.

Qualquer coisa que não sei o nome feita com ovos
5 ovos
4 colheres de sopa de farinha.
sal qb
pimenta qb
queijo e fiambre a gosto.
queijo ralado para polvilhar
manteiga para barrar o tabuleiro de ir ao forno

Ligar o forno para ir aquecendo
Cortar o queijo e o fiambre aos pedaços pequenos.
Bater os ovos, juntar a farinha e mexer, adicionar o sal, a pimenta.( juntei oregãos)
Barrar a forma com a manteiga (eu polvilhei depois com farinha)
Deitar o preparado no tabuleiro espalhar o queijo e o fiambre, por cima colocar o queijo ralado
Levar ao forno


Sai da cozinha fui tomar banho, quando voltei foi só fazer uma salada, o jantar estava pronto.
Uma receita a repetir, até dá para fazer com aproveitamento de carne assada, salsichas, sei lá o que a nossa imaginação mandar.

20 de maio de 2015

Quando falta o ferro.

Flores, do quintal da mãe só para alegrar um pouco.
Resumindo bem resumidinho.
Desta vez o suplemento de ferro bebível não fazia efeito, nem a beterraba, nem fígado, nem nada, pelo contrário, os valores acabaram por descer aos mínimos que o corpo humano necessita.
Dai a perca de peso e o cansaço que se instalou. (eu às vezes até pensava se não seria preguiça)
Desta vez esta "menina" veio para dar cabo de mim, para me deitar por terra para me deixar sem forças.

Normalmente quando se fala em ferro a primeira coisa que nos lembramos é da hemoglobina, que tem como função o transporte de oxigénio para o sangue. Além da hemoglobina ainda temos uma  reserva de ferro,  a ferritina, que está "ali" guardadinha para um caso de urgência. (Foi mais ou menos a explicação dada pelo médico.)
Pois a minha reserva neste momento quase não existe, dai o facto de me sentir exausta, e sem força.
Apanhar e estender roupa já me deixa super cansada, sair do autocarro e vir para casa que é relativamente perto deixa-me num estado em que abro a porta de casa e vou direita ao sofá.
Aspirar a casa toda de seguida está fora de questão.

Fui informada que devido a tão grande carência de ferro só tenho uma solução,  fazer tratamentos com ferro endovenoso.
Uma técnica parecida com uma transfusão de sangue, só que neste caso são administradas unidades de ferro, e não unidades de sangue.


Este será o meu inicio de dia durante quatro semanas ( 1 vez por semana) deitada numa marquesa numa sala do hospital  rodeada por aparelhometros e tubos de borracha, com uma borboleta no braço à espera que o saco de ferro se vá aos poucos vazando, gota a gota.

E como tenho de tirar sempre alguma coisa positiva do mal que me acontece fiquei a saber que:
Afinal não ando preguiçosa, ando doente!..

Pronto agora me vou que isto aqui não é um muro de lamentações. A agora é que eu vou ficar fresca e fofa (que nem uma alface).

Pinta



18 de maio de 2015

Pedaços esquecidos (3)

 Durante toda a semana ela ali esteve, em cima da mesa da sala, aguardava sem pressa que a agulha lhe fosse dando acabamento, mas pouca sorte teve. Após o jantar passava por ela mas ia "esbarralhar-me" no sofá.
Só mesmo o essencial tem sido feito, o resto fica de lado, quem sabe talvez "amanhã" penso eu.
No fim de semana, contagiada pela gritaria dos miúdos a máquina foi ligada.
No chão da sala os Gémeos brincavam.




Até que também eles embalados pelo sono, adormeceram, e mais uma vez a máquina foi desligada.
Larguei tudo aproveitei o silencio e tambem me deitei.
Sei que quando acordarem e tendo eles memória de elefante, vão querer ir brincar para um qualquer parque da cidade.
A colcha essa, irá passar mais uns dias em cima da mesa da sala até ser acabada, ou quem sabe amanhã me apeteça adiantar mais um bocadinho.
Afinal amanhã é outro dia!


14 de maio de 2015

E "prontos" é mais ou menos assim.

Espuma de morango
Três quilos a menos em 5 semanas ( também não estavam cá a fazer nada)
Ainda não tenho o banho terminado já estou a pensar na hora em que vou voltar a vestir o pijama.
Ás 9.15H já suspiro para que sejam 18.00H. para regressar a casa.
Não estou a ler nenhum livro, nem a bordar nada, nem os pincéis tem saído de dentro do móvel, só a colcha de patchwork anda em cima da mesa em bulandas sem que lhe pegue.
A televisão da sala não é ligada à vários dias, enfim pareço um Zomby, ando porque tenho de andar.
Estou tão cansada.
Um destes dias venho aqui para fazer uma postagem e o máximo que escrevo é:
-Fui!
Porque não tenho imaginação nem disposição para mais, nem nada de novo para contar.
Ando cansada, muito cansada...  

12 de maio de 2015

Vestida de Azul em dias de sol

A casa sem que desse por isso anda vestida de azul.
Quando o tempo muda dá vontade de trocar a decoração, pequenos apontamentos bastam para ficar de cara nova.
Agora foi o azul o escolhido, tirada de dentro da arca a primeira (pequena) colcha de retalhos que fiz.


Também na cozinha e já há muito tempo o Azul reina.
Calor é igual a comida mais fresca mais leve, mais sumos de laranja e maçã para ela,  e de beterraba morango e laranja para mim. 

10 de maio de 2015

A Avó médica

Chegou triste, no caminho o seu amigo talvez por ser traquinas, perdeu uma pata.
- Vó tratas a patinha do meu cão? Perguntou ele!




A avó tratou da patinha, uma operação fácil, bastou um pouco de cola e o seu cachorro azul de olhos cor de rosa que ele tinha feito com tanto carinho voltou a sorrir.




Ficou ali a recuperar de tão grande maleita, mas rapidamente estava pronto para a brincadeira.
Afinal os avós têm o dom de curar até os amigos azuis.



Na vida pode-se aprender três coisas com uma criança:
Estar sempre alegre;
Nunca ficar inativo;

E, chorar com força por tudo aquilo que se quer.


                          Paulo Leminski

7 de maio de 2015

Beterraba







Dada a minha grande carência vejo-me "obrigada" a tomar suplementos de ferro e a procurar alimentos ricos em ferro para compensar aquele que o meu corpo não consegue obter.
Todas as verduras verdes escuras são ricas em vitaminas e ferro, e quase  todos os dias os legumes estão no meu prato, mas de nada serve ( ou quase nada) a carência de ferro continua só subindo um bocadinho os valores quando é acompanhada de medicamentos para pouco tempo depois voltar a descer.
O médico lá me vai dando dicas que tenho seguido mas sem resultados visíveis nas analises efectuadas.
Figado de vitela, legumes, frutos secos, sei lá o que eu como, e nada.
Mandou também o Sr. Dr. comer beterraba
Cozida, envinagrada, tipo pickles é boa, e desde sempre me lembro de a comer assim.
Ralada nas saladas também vá que não vá, em sopas não vale a pena, ou tinha de fazer uma sopa para mim outra para a Joana, mas quando se fala em comer assim uma inteira crua, a coisa já muda de figura.
Eu encontrei uma solução que para mim é satisfatória, sumo.
Ok não é só sumo de beterraba, tenho de juntar mais fruta.
Agora ao jantar quase todo o santo dia lá está ele, um copo de sumo de beterraba, laranja e morango.
Ás vezes troco a laranja por maça, por cenoura, por banana, mas beterraba e morangos estão sempre lá ( e açúcar, tenho de colocar um pouquinho de açúcar).
Os sumos ficam com uma cor tão bonita, mas de sabor nem por isso
Neste pequeno almoço tomei a minha dose diária de ferro, e também a minha dose diária de colesterol, um bom pãozinho com chouriço.
Nos dias de semana faço o sumo com os morangos e a banana congelados, a beterraba e laranja natural, coloco num copo e quando chego ao escritório ainda está fresquinho.
Se um destes dias virem alguém com cara de beterraba, sou eu!

Anemia talassémia que é o meu caso, nasci com ela, vou morrer com ela, por vezes nem me lembro que a tenho mas na altura das "crises" é bem chatinha, e claro com o avançar da idade os cuidados tem de ser outros.

GOSTAM DA PINTA...

Outras PINTAS