(Contou-me a minha mãe esta história quando eu era garota)
O Manel, um Alentejano ainda na idade casadoira, veio para Lisboa tentar a sua sorte.
Encontrou trabalho e por cá ficou 6 meses sem ir à terra.
Ao fim desse tempo as saudades da família eram muitas e resolveu ir um fim de semana à aldeia.
Achava-se agora moço fino da Cidade Grande, esquecendo tudo o que tinha aprendido na aldeia durante todos os anos em que lá vivera.
Esqueceu-se dos pés descalços nas ruas de areia, da cama com o colchão feito de camisas de milho, da água que tinha de ir buscar à fonte...
Vinha pela entrada que dava acesso à aldeia o Ti Zé da Anica. Pararam para dois dedos de conversa, e ficou admirado o Ti Zé com a conversa do Manel, já não conhecendo nele o rapaz que viu crescer.
Entretanto e já se fazendo tarde o Ti Zé agarrou nos sacos onde transportava as sementes, agarrou na foice e viu que lhe faltava o ancinho, devia do ter deixado cair no caminho sem dar por isso.
- Oh Manel, apanha-o e guarda-mo que à noite passo lá por casa para o levar.
-Ah Ti Zé eu até o ajudava e o guardava se o visse, mas moço da cidade como agora sou já nem o que é um ancinho!
O Ti Zé abanou a cabeça e lá seguiu o seu caminho.
O Manel continuou para a aldeia e distraído como era não viu onde pisava.
Colocou o pé em cima dos dentes de ferro e logo o cabo de madeira devido à lei da física, lhe foi bater no meio da testa deixando-o meio atordoado.
- Cabrão do ancinho, disse o Manel, tinha logo que estar no meio da estrada.
Afinal o Manel sabia muito bem o que era o ancinho só se estava a armar em fino, esquecendo as suas origens humildes de moço do campo.
Dizia-me a minha mãe que por mais voltas que a vida desse eu nunca deveria esquecer as minhas origens, e não esqueci, mas desta vez!...
E passo a contar:
Depois de ter estado várias semanas (muitas..tantas..5..) sem passar uma única peça de roupa, (
se encontraram uma rapariga com uma camisola com as marcas das molas da roupa, era a minha Joana) a mesma foi-se transformando numa enorme pilha, mais parecendo a torre de pizza, alta e torta.
Agora sentindo-me com mais força e coragem fui-me a ela "roupa" decidida a acabar com o monte, até porque já pouca roupa havia nesta casa para se vestir, pois bem na segunda ou terceira peça, não me lembrando de controlar o calor do ferro, queimei uma blusa.
Bastou umas semanas para me esquecer de como se passava a ferro. (já parecia o Manel e o seu ancinho...)
O pior foi o estado em que o ferro ficou, nem com um produto próprio para limpeza de ferros nem com vela quente o raio do ferro ficava limpo.
Depois lembrei-me que tinha lido na net uma dica para limpeza de ferros, juntar Bicarbonato de Sódio e sumo de limão.
Fiz uma pasta espalhei pelo ferro quente e esperei arrefecer.
Depois de frio passei um pano húmido e era assim que o tecido estava, aquilo não parecia tecido parecia plástico
Puxei, saiu todo, depois foi só esfregar mais um bocadinho com o pano e tudo aquele castanho esborratado no fundo do ferro saiu.
E foi este o resultado, fundo do ferro limpo.
E por falar em ferro, o meu deve de ter já uns valores aceitáveis pois sinto-me um bocado mais activa sem tanto cansaço, não estou bem mas estou melhor.
Ainda me faltam 3 semanas, três tratamentos, mas já sinto alguma diferença.
Obrigada a quem tem perguntado, ah e não se esqueçam Bicarbonato de sódio e limão...
"Todos os meios são bons quando são eficazes." [ Jean-Paul Sartre ]