Fez este mês 10 anos que comprei esta casa, e nos finais de Setembro mudamo-nos para cá.
A Lúcia e a Joana sempre dormiram no mesmo quarto, a mudança nas nossas vidas iria ser tão grande que achei por bem que a Joana então com 4 anos continuasse a dormir junto com a irmã, até porque a única mobília que eu trazia da "casa de família" era o quarto delas que era um beliche.
Sobrava então este quarto, que ficaria como sala de estudo para uma e sala de brincadeiras para a outra.
A Lúcia pediu para pintarmos uma parede de verde alface, com a casa cheia de caixas e caixinhas a ideia não me pareceu lá muito boa, até porque a casa tinha sido habitada por pouco tempo e estavam as paredes impecáveis e todas pintadas de igual. Creme!
Mas se era para mudar, então mudávamos tudo e à nossa maneira, afinal seriamos agora donas das nossas vidas e escolhas.
"Pintei a parede de verde e de seguida pintei também a do meu quarto em castanho chocolate, (cama não tinha mas isso logo se resolveria mais tarde) mas tinha uma parede cor de chocolate!"
Esta divisão passou a ser chamada de "
quarto verde"
Passado dois anos este viria a ser o quarto da Lúcia, a Joana ia para a escola primária era uma menina grande já podia dormir num quarto só dela, sem medos e pesadelos.
Aqui já tiveram várias camas, vários móveis, mas a parede continuava igual, verde.
Chegou a vez de mudar.
Sabia que iria ser um longo trabalho pois desta vez tinha de pintar todas as paredes e tecto.
Tirei o menos possível da divisão, fiz montes e tapei com lençóis e toalhas velhas e ia arrastando de um lado para o outro conforme precisava de espaço.
Ao longo dos anos a parede lateral ganhou algumas rachas, foi preciso primeiro tapa-las com uma massa própria para o efeito.
Dá trabalho e tem de ficar disfarçada para que depois não se vejam os "remendos" e se as paredes fossem lisas acho que seria mais fácil, dava-se a massa lixava-se e já estava, mas assim é bem mais difícil e trabalhoso disfarçar "altinhos"
Há medida que tapava uma racha, aparecia outra, credo nem tinha visto que haviam tantas...

Tinha lido algures que se forrasse o tabuleiro de pintura com plástico ia ter muito menos trabalho depois na limpeza do mesmo.
Tentei a ver no que dava
E realmente é muito mais fácil.
Também, tinha lido de que não seria necessário tapar o chão, bastava lavar o mesmo no inicio da pintura e ir lavando novamente cada vez que mudamos para uma nova área.
Também resultou para mim, uma vez que tive de mudar os "tarecos" várias vezes de lugar, sem ter o chão impedido.
As pinturas iam sendo feitas por etapas, até porque a minha tendinite não me permite grandes esforços seguidos.
Primeiro o tecto, depois as paredes cremes e só depois a parede verde.
Esta foi a mais difícil, pois teve de ser pintada de branco antes de levar a cor final, e paredes rugosas dão muito mais trabalho a pintar do que paredes lisas.
Três demãos de tinta nesta parede e duas em todo o restante quarto.
Foi muito trabalho, mas tive sempre por companhia e vigilânçia a Gris.
Custo tutal: €18.90 pois só precisei de comprar a tinta cinzenta e a massa para as rachaduras, tudo o resto já tinha em casa.

Este quadro, um dos últimos desenhos feitos pela Joana no infantário antes de nos mudarmos, será reciclado.
Foi feito a 20.9.2005 e representa "A familia".
A "família" ... ela só desenhou a
Mãe e o
coração da mãe.
Era assim constituída a família de 5 pessoas aos olhos de uma menina de 4 anos.
O quadro será reciclado e permanecerá sempre numa qualquer parede.
Bom, e ao fim de três manhãs de trabalho, (sim porque eu sou uma amadora), e algumas dores no corpo, (até os calcanhares me doiam) as pinturas ficaram acabadas,
A roupa e o material de pintura foram lavados e serão guardados até ( e se ) houver próximas pinturas feitas por mim.
Agora falta colocar tudo no devido lugar, esquecer as dores e olhar a obra pronta.
"Se não sabes, aprende; se já sabes, ensina."
(Confúcio)