No meio de muito lixo e tralha estava o que outrora fora um funil em esmalte.
-Tu que gostas de coisas velhas queres isto? pergunta a Mãe
-Não! Já não tem a pega, é melhor ir para o lixo! Respondo
- Sabes é que este funil tem mais de 60 anos, era da tua avó.
Uma vez estava cá em casa eu precisei de um funil (já não sei para quê) mas não tinha, nem podia comprar, pois nessa altura todas as moedas eram poucas para chegarem ao final do mês. Então ela quando cá voltou trouxe este que era dela.
Deu o unico funil que tinha. Mas para ela isso não importava nada,
Ela era assim, dava tudo para ver ou outros bem. ( eu sei e tenho tantas saúdades da minha querida avó).
Depois a vida melhorou, tivemos vários finis, mas eu nunca tive coragem de deitar o velho funil fora e por aqui foi ficando, mesmo sem servir para nada.
Ao ouvir esta história da boca da minha mãe, lembrei-me de uma outra. Um pequeno texto do meu livro de Portugês da 3º ou 4º classe.. Um texto que eu nunca esqueci.
Era mais ou menos assim.
Era uma vez um menino que não gostava que a sua mãe lhe fizesse festas na cara. Ela tinha umas mãos muito feias, asperas e queimadas.
-Mãe tu tens as mãos mais feias do Mundo!
A mãe ficava triste mas à noite enquanto o seu menino dormia, ela aproximava-se e acariciava-lhe o pequeno rosto.
- És tão lindo meu menino!...
Um dia sem querer o menino ouve uma conversa entre a sua mãe e a avó e descobre que as mãos da mãe ficaram queimadas, feias e ásperas porque ela o salvou de um fogo.
Era ele bebe e dormia no seu berço, quando numa noite, uma rajada de vento, fez com que a vela que iluminava o seu sono tombasse sobre o berço e ateasse fogo à roupa da cama.
A Mãe destemida enfrentou as chamas e salvou o seu menino mas as suas mãos ficcaram para sempre queimadas.
Então o menino com lágrimas nos olhos foi junto de sua mãe afaga-lhe as mãos e diz-lhe
- Mãe!, afinal tens as mãos mais bonitas do Mundo.
Passei a ter um velho funil sem pega e com ferrugem
mais bonito do Mundo,
Aquele que a minha avó um dia deu á sua nora sem se importar que ficaria sem nenhum.
Um dia quem sabe tenha coragem de o deitar fora, agora não!